Quando um aluno chega à sala de aula e me pergunta: “Professor, dá pra entrar em uma faculdade fora do Brasil com o Enem?”, percebo que muitos colegas educadores ainda hesitam na resposta. A boa notícia que eu sempre faço questão de compartilhar é que sim. O caminho existe e, em alguns casos, é muito mais acessível do que parece.
Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto como o Exame Nacional do Ensino Médio deixou de ser apenas uma porta de entrada para o ensino superior brasileiro. Ele passou a ser aceito por diversas universidades no exterior como parte do processo seletivo. Entender esse cenário, hoje, é parte fundamental do meu trabalho e de quem orienta estudantes no Ensino Médio.
Na minha atuação como coordenador do programa bilíngue no Colégio Amadeus — uma das escolas que compõem a Inspira Rede de Educadores —, tenho recebido com frequência pais e alunos com perguntas muito objetivas. Eles querem saber quando começar a preparação, quais requisitos as universidades exigem e se atividades extracurriculares ou olimpíadas acadêmicas fazem diferença.
Muitas dessas conversas começam de forma espontânea, em atendimentos individualizados ou a partir de uma dúvida trazida em sala de aula. Para responder a essas dores das famílias, precisamos entender a fundo como esse processo funciona.
Onde o Enem é aceito e como funciona o processo?
Desde 2014, o Inep firma acordos de cooperação com universidades estrangeiras — sobretudo portuguesas —, que reconhecem oficialmente a nota do Enem como critério de seleção para candidatos brasileiros. O que motiva essa abertura é o reconhecimento de que o nosso exame é padronizado, tem abrangência nacional e uma credibilidade construída ao longo de décadas.
Em outros países, como França, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Irlanda, existem instituições que consideram o Enem, mas essa possibilidade deve ser analisada caso a caso. Em geral, os candidatos que oriento precisam cumprir exigências adicionais, tais como:
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- Comprovação de proficiência no idioma (inglês ou francês);
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- Envio de histórico escolar detalhado;
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- Realização de outras etapas seletivas e análise de currículo acadêmico.
O papel da escola e a nossa prática diária
Sempre defendo que o papel da escola nesse processo decisivo começa antes do Ensino Médio. Já no 9º ano do Ensino Fundamental, nós buscamos apresentar essa possibilidade aos estudantes. Para que isso funcione na prática, algumas ações que lidero fazem total diferença:
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- Fluência real e certificada: Mais do que o inglês instrumental cobrado na prova do Enem, nós precisamos desenvolver no aluno uma fluência real ao longo do tempo. No Colégio Amadeus, promovemos o contato contínuo com a língua desde os primeiros anos por meio do programa bilíngue. Esse percurso é fortalecido pela preparação para os exames de Cambridge, aplicados na própria escola, que validam oficialmente a proficiência e aproximam os estudantes de oportunidades globais.
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- Estímulo ao Protagonismo: O interesse dos alunos gera movimentos reais dentro da escola. Acompanho de perto estudantes que buscam orientação para construir currículos acadêmicos e buscar experiências extracurriculares. Alguns deles, inclusive, se voluntariaram para integrar o Amadeus News, um projeto que criei justamente para que eles compartilhem notícias sobre tudo o que acontece no nosso programa bilíngue.
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- Suporte de uma Conexão Global: Nenhuma escola caminha sozinha rumo à internacionalização. Contar com o apoio inovador da Inspira Rede de Educadores expande completamente os nossos horizontes. Um exemplo claro disso é a nossa participação no Go Global, um programa da Inspira voltado à criação de oportunidades acadêmicas internacionais. Ver nossos estudantes engajados e inscritos nesse programa fortalece a cultura de internacionalização de toda a comunidade escolar, inspira outras famílias e reafirma nosso compromisso com o mundo globalizado.
Na prática, entendo que o meu trabalho vai muito além do ensino do idioma: eu acompanho sonhos, oriento escolhas acadêmicas e ajudo os alunos a compreenderem que estudar fora é o resultado de uma trajetória construída dia após dia, dentro da rotina escolar. Falar sobre Enem e universidades internacionais é, antes de tudo, falar sobre projetos de vida.
Paulo Roberto Correia de Andrade
Coordenador do Programa Bilíngue
Colégio Amadeus | Aracaju - SE
Colégio Amadeus | Aracaju - SE