A sala de aula é, por essência, um espaço heterogêneo. Cada turma que encontro na Escola Santo Tomás de Aquino carrega uma combinação singular de repertórios, expectativas, inseguranças e potenciais. Reconhecida em 2025 como uma Cambridge International School, a escola vivencia essa diversidade de forma ainda mais evidente no ensino da língua inglesa: enquanto alguns estudantes já utilizam o idioma em seu cotidiano, outros têm na escola o seu principal e, muitas vezes, único contato com a língua. Ao longo dos anos, compreendi que essa disparidade não é um desafio a ser superado, mas uma valiosa oportunidade pedagógica. É justamente nesse encontro entre diferentes experiências, trajetórias e níveis de proficiência que construo, de forma concreta, a formação do cidadão global.
O meu ponto de partida é sempre o mesmo: reconhecer a vivência de cada aluno e criar um ambiente acolhedor onde o protagonismo, o respeito e a colaboração existam de maneira natural. Em nossa escola, acreditamos que ninguém aprende inglês ou qualquer outro conteúdo apenas por meio de técnicas memorizadas. Aprende-se, de fato, por meio de experiências significativas, diálogos reais e participação ativa.
A língua como ferramenta de expressão e autonomia
Por essa razão, proponho constantemente aos meus alunos situações em que eles usem o idioma para falar sobre sua própria vida, sua comunidade e sua percepção de mundo. Dessa forma, a língua deixa de ser apenas um componente curricular rígido e passa a ser uma ferramenta viva de expressão, identidade e autonomia.
Na minha prática diária, a construção da cidadania acontece dentro dessas pequenas interações em sala de aula. Quando um aluno precisa argumentar em inglês, escutar diferentes opiniões, reorganizar suas ideias e colaborar com o grupo, ele exercita competências globais sem perceber. O idioma amplia horizontes, mas é a convivência que forma o sujeito crítico.
Em minhas aulas, discuto questões sociais, culturais e ambientais de relevância mundial, sempre relacionando o cenário global ao contexto local. Essa perspectiva ajuda o estudante a compreender que ele faz parte de um mundo profundamente interconectado e que suas ações têm impacto real tanto dentro quanto fora da escola.
O exercício da escuta e a construção do caráter
Em um ambiente tão plural quanto a escola, preservar o respeito e a empatia é um trabalho diário. Incentivo debates ricos, mas também o exercício genuíno e atento da escuta. Acredito que esses momentos de troca são os que mais preparam o jovem para participar ativamente de uma sociedade complexa e diversa. Quando observo um de nossos alunos defendendo suas próprias ideias sem desconsiderar ou diminuir as do colega, percebo que o processo formativo está acontecendo muito além da gramática e do vocabulário. Está acontecendo, fundamentalmente, na construção do caráter.
Formar cidadãos não é uma tarefa simples. Exige constância, abertura e uma didática que se reinventa conforme a necessidade de cada turma. É preciso sensibilidade para compreender que cada estudante chega até nós com uma história única e avança em ritmos diferentes. No aprendizado do inglês na Escola Santo Tomás de Aquino, isso se traduz em estratégias que mesclam orientação individual, trabalho colaborativo e vivências práticas.
Excelência e o direito de errar
O uso de projetos, discussões temáticas e atividades que envolvem a tomada de decisão e a resolução de problemas são pilares da minha prática pedagógica, sempre com foco total na autonomia. Ao assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado, o aluno também desenvolve, naturalmente, a responsabilidade pelo coletivo.
Ao longo da nossa jornada, percebo que a excelência acadêmica não está ligada apenas ao domínio técnico de um conteúdo, mas à nossa capacidade de transformar o espaço escolar em um ambiente de total confiança. Um ambiente onde o erro é entendido como parte natural do caminho e onde o estudante se sente seguro para tentar, perguntar, discordar e construir. É essa confiança que permite que a aprendizagem se torne sólida e que a formação humana aconteça em sua totalidade.
A sala de aula brasileira, com toda sua riqueza e diversidade, é um laboratório vivo para o desenvolvimento do cidadão global. A nossa missão, potencializada pela conexão global da Inspira, é mediar experiências que despertem a curiosidade, o senso crítico, a empatia e a autonomia. Acreditamos profundamente que, quando damos ao estudante voz e protagonismo, ele não apenas aprende um novo idioma; ele aprende, verdadeiramente, a ocupar o mundo.
Cláudio Lopes
Professor e Coordenador de Língua Inglesa
Escola Santo Tomás de Aquino | Belo Horizonte - MG
Escola Santo Tomás de Aquino | Belo Horizonte - MG